Dando continuidade ao projeto “AFETOS: PASTOREIROS DE ALMAS”, a Diretoria de Publicações da SBPRP convidou a Dra. Maria da Conceição Silva Ribeiro da Costa, membro efetivo da Sociedade, para escrever sobre uma data que nos faz lembrar do amor: o Dia dos Namorados. Sintam esse sensível texto!

Dia dos Namorados
por Maria da Conceição Silva Ribeiro da Costa
“Aprendizagem do amor é interminável” (Sant’Anna, 2011). O amor é nesse sentido um encontro criativo e fértil, um conhecimento cujo resultado é a geração de algo que poderá ser cultivado como uma semente que jogada na terra poderá dar frutos na relação pela sua própria natureza. O dinamismo psíquico é fomentado pela energia pulsional que tem origem no território de fronteira corpo mente (Freud, 1938): os sentimentos, as emoções, as propostas, os desejos, as renuncias e perdas.
O ser humano é um ser desejante que vai em busca do objeto faltante. Nas relações amorosas e na descoberta de si, o amor é a união do erotismo com a amizade. O homem viveu sempre mergulhado nas raízes libidinais do amor, com vínculos mesmo que breves (Freud, 1976). “O amor protege os amantes do sentimento de morte que o erotismo conjura, da mesma forma que os cuidados maternos, protegem a criança da angustia de separação. Esse amuleto possibilita penetrar ousadamente nos mais estranhos vãos da sexualidade e acreditar que se possa de lá sair ileso” (Saddi, 2011).
O estar apaixonado consiste em um fluir da libido do ego em direção ao objeto do desejo, exalta o objeto transformando-o num ideal sexual visto que o tipo de ligação, o estar apaixonado ocorre em virtude das condições infantis que buscam a falta para amar. O amor permite entrada no mundo interdito, na sua busca. Os parceiros sentem prazeres que jamais sentiriam se não estivessem juntos nessa empreitada caprichosa. O amor confere uma aura sagrada ao profano e possibilita abusar do erotismo sem náusea, sem medo, como na ficção “Na praia” de Ian McEwan, e com cumplicidade.
As pessoas têm ilusões – não passam sem elas – tão influenciadas pelo falso quanto pelo que é verdadeiro, na busca de satisfações que signifiquem felicidade; uma atitude poética, uma cisão mágica da realidade em uma dupla imaginada.
FREUD, S. Esboço de psicanálise (1940 [1938]). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, vol. XXIII.
FREUD, S. (1976). Além do princípio de prazer. In S. Freud, Ediçăo standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1920)
McEWAM, Ian. Na praia. Tradução Bernardo Carvalho – São Paulo: Companhia das Letras,2007.
SADDI, Luciana. Erotismo: e onde fica o amor?. Ide (São Paulo) [online]. 2011, vol.34, n.52, pp. 206-210. ISSN 0101-3106.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Aprendizagem do amor. Ide (São Paulo) [online]. 2011, vol.34, n.52, pp. 25-33. ISSN 0101-3106.
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