A família nuclear é o cerne em torno do qual orbita boa parte das teorias psicanalíticas. Importa, portanto, compreender que esse núcleo não é estanque – que a família nuclear burguesa é distinta daquela ampliada medieval e certamente também se diferencia das famílias contemporâneas. Apesar de tamanha diversidade, os 100 primeiros anos na psicanálise foram marcados pelo modelo familiar inamovível constituído pelo par mãe-pai. A díade heterossexual era hegemônica e a triangulação edípica no sentido tradicional, uma necessidade. Hoje é evidente a limitação dessa ideia. Mais da metade dos núcleos familiares brasileiros está fora do considerado padrão. São principalmente casais sem filhos, pessoas morando sozinhas, mães ou pais sozinhos com filhos, entre outros diversos modelos somados.

Família é um conceito em constante mutação. Nesse sentido, a observação e a compreensão dos diversos contextos devem acompanhar a teoria e a prática clínica, em uma perspectiva livre e dinâmica. A multiplicidade de escolhas possíveis, tanto individuais como coletivas, abre espaço para novas compreensões a respeito do humano. Os diagramas da existência são múltiplos, e a psicanálise tem um lugar privilegiado na leitura do novo.
A compreensão, portanto, dos novos agrupamentos familiares sob a perspectiva da psicanálise se justifica de forma ampla. Se, por um lado, os conceitos psicanalíticos podem contribuir para a compreensão das famílias contemporâneas; a clínica psicanalítica também tem muito a ganhar com essas reflexões, tendo em vista que subjetividade se constitui na relação com o outro. A proposta da conversa do dia 11 de julho é uma reflexão a respeito do papel da psicanálise na leitura social – e da leitura social na clínica psicanalítica, tendo em vista as configurações familiares não-normativas.

*Membra do Instituto de Psicanálise Virgínia Leone Bicudo (Sociedade de Psicanálise de Brasília), mestranda no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (Universidade de Brasília).

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