Neste mês de setembro, nossas atenções são chamadas para esse fenômeno silencioso, presente nos humanos, o suicídio, que leva à desistência da vida.
Nossa colega Ana Rita Nuti Pontes, membro efetivo com funções didáticas da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto, ilumina alguns fatos que podem levar a um sentimento de solidão, mesmo quando se estiver acompanhado.
Aqui temos suas sensíveis reflexões!

por Ana Rita Nuti Pontes
Observo, cada vez com mais frequência, a dificuldade de algumas pessoas estarem juntas e conversarem pessoalmente. A troca de mensagens escritas, ou mesmo por áudio, se intensifica. Fazer uma chamada telefônica e conversar pessoalmente parecem coisas de uma outra era. Cria-se uma situação, onde o contato pessoal, conversas em que um olha para outro, um fala e o outro responde no calor da emoção, são evitadas. Não raramente observo, e vejo com uma certa tristeza, casais que conversam com os seus celulares. Ou mães, que enquanto amamentam, conversam com o celular e não olham para o bebê.
Tantas situações. Como se ali, não houvesse nada que pudesse ser conectado entre as pessoas. Qual a possibilidade que temos de desenvolvermos uma relação íntima com o outro, nestas condições? Me refiro à um tipo de encontro cuja proximidade possibilita a apreensão de um certo conhecimento a respeito da pessoa com que estou naquele momento. Pelo jeito de falar, pelo seu tom de voz, pela sua postura e gestos, formo dentro de mim uma ideia de quem está comigo. Pelo cheiro também vamos compondo a pessoa dentro da gente.
Eu posso intuir, conhecer, me fazer conhecer e ser acessível se crio condições para estar com outro. Olhar, perceber, sentir, farejar, localizar o outro. Para trocar, ficar junto. Mesmo em silencio é possível ficar junto e fazer conexão. Penso nos micros suicídios que acontecem no dia a dia antes de culminarem na realização do ato final. Penso na importância do olhar para outro com interesse e curiosidade, penso da distância e no vazio emocional que são criados por este novo jeito de viver.
O amarelo, é uma cor que representa na cromoterapia, vida, alegria e energia. No trânsito, significa atenção! Pare e olhe. O setembro amarelo pode funcionar também como um chamamento, uma sinalização para a vida: Atenção, pare e olhe! Observe, veja, intua. Cuide.
Deixe um comentário