Em homenagem e comemoração ao Dia das Crianças e dos Professores, o projeto “AFETOS: PASTOREIROS DE ALMAS”, realizado pela Diretoria de Publicações da SBPRP, traz a reflexão da psicanalista e membro efetivo, Adriana Vilela Jacob Francisco.

Crianças professores e/ou professores crianças?
Adriana Vilela Jacob Francisco


Aprecio conhecer a origem das palavras. Tenho uma curiosidade, desde a infância, pelas origens (seja das palavras, pessoas ou conhecimentos e suas histórias). Penso ser possível assim, vislumbrar desdobramentos, relações, evoluções ou mesmo involuções.


Palavras de origem latina, criança resulta da junção do verbo criar, que significa crescer ou fazer crescer, com o sufixo ança, utilizado para dar a ideia de grandeza e amplitude quando associado a um verbo (ex.: andança). Já professor, aquele que faz profissão de; o que se dedica a; mestre; é relativo àquele que declara publicamente, que afirma perante todos, manifesta-se.
Quem cria a criança? Quando se deixa de ser criança?

Pais e professores oferecem o que tem disponível, cuidado e conhecimento. Ensinam?


Me lembrei da afirmação de Freud, de que existem 3 profissões impossíveis: ensinar, governar e psicanalisar.

Crianças são seres em processo de humanização. Ao nascimento, o mínimo pra
sobreviver.

Na infância, cuidados adultos de maternagem, função paterna. Mais tarde, com professores e colegas, o contato com o mundo se amplia.

Na vivência e convivência com o cuidado genuíno e generoso, no contato íntimo e amoroso, é que a construção vai acontecendo.

Por ser única, personalidade e identidade, criará um mundo próprio dentro de si. Nascerá subjetividade, sua forma pessoal de ver e viver cada gotícula da vida apreciada. Aprender pode nascer daquilo que é recebido. Tem a ver com a alegria de se acrescer.

Crianças se tornam adultos autônomos e criativos, quando podem ser filhos, aprendizes. Crianças, pais, professores podem ver florescer uma mente pensante, quando sua criança pode aproveitar o que lhe é oferecido, incorporando e transformando: indo além.

Respeito e gratidão são palavras que de tanto serem usadas, ficaram machucadas e desgastadas. O mesmo com autoridade. Talvez o mau uso envolva algo de arrogância, desejo de prescindir da dependência, escapar da frustração do contato com faltas. Haverá possibilidade de humanização sem essa alegria de se
acrescer?