No livro Conceitos elementares da obra de Bion, o primeiro capítulo chama-se “Quem foi W. R. Bion”. Nele, as psicanalistas Maria Aparecida Sidericoudes Polacchini e Martha Maria de Moraes Ribeiro entrevistam o Dr. José Américo Junqueira de Mattos sobre o seu analista, “o homem Bion, o ser humano para além do cientista e do clínico formidável.” Ribeiro, P. M. M. Aí em suas palavras, diz Dr. Junqueira sobre a sua experiência viva:

“….a importância da poesia era uma coisa que chamava a atenção no Dr. Bion, por exemplo: os grandes poetas: Milton, Shakespeare, e não só os de fala inglesa, mas também outros, como Cervantes, Camões e até um poeta pouco conhecido como Gregório de Matos, além de São João da Cruz, etc., eram citações dele na minha análise. Shakespeare era uma pessoa fundamental. Ele conhecia obras de Shakespeare de forma impressionante! Eu me lembro de uma vez que eu comprei lá em Londres, um K7 que trazia o texto de Macbeth, trazia o sonho da lady Macbeth quando ela lavava então as mãos, e o sangue não desaparecia das mãos, e ela ficou maluca com aquilo. Então, eu relacionei o sonho como realização de desejos do Freud. O Dr. Bion disse que poderíamos falar de Shakespeare como o primeiro psicanalista da história. Ele inclusive fala, em uma das “Conferências brasileiras”, da importância da arte para a formação do psicanalista.
E não era só a literatura: a música também. E, por exemplo, ele tinha uma grande admiração por Picasso.”
Junqueira de Mattos, J. A. (2023). Quem foi W. R. Bion? In: Conceitos elementares da obra de Bion. P. 17-33. Organizado por Paulo de Moraes Mendonça Ribeiro – São Paulo: Blucher
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