Celebrando o Dia Internacional da Mulher, temos um texto singular construído da nossa colega Guiomar Papa de Morais, membro efetivo com funções didáticas da SBPRP, que nos convida a pensarmos e ampliarmos nossos olhares antes de tentarmos responder a pergunta feita por Freud: “O Que Quer Uma Mulher?”

Imagem via freepik.com
“O que quer uma mulher?”
por Guiomar Papa de Morais, Membro Efetivo
com funções didáticas da SBPRP
Assim Freud teria indagado Marie Bonaparte (segundo relato de Ernest Jones), uma das pioneiras da psicanálise, no início do século XX. Esta emblemática pergunta ecoa por expandir a compreensão da mulher e do universo feminino. A psicanálise muito caminhou ao afastar-se da concepção de que o desenvolvimento da menina é simplesmente análogo ao do menino. Já em 1933, Freud em “A feminilidade”, afirma:
É próprio da peculiaridade da psicanálise, então, que ela não se ponha a descrever o que é a mulher – uma tarefa quase impossível para ela – mas investigue como a mulher vem a ser, … (pág. 269).
Estaria se antecipando a Simone de Beauvoir (1949) com a sua conhecida afirmação: “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”?
Voltando à pergunta inicial, muitas compreensões, hipóteses e conjecturas poderiam ser lançadas. Julia Kristeva assim escreve em “As novas doenças da alma” (2002): “Talvez tenha chegado o momento preciso de tornar visível a multiplicidade das faces e das preocupações femininas” (pág. 221).
Ao que podemos concluir: não existe a mulher universal! O que existe de universal são valores e referências necessários à civilização, que congregam mulheres e homens indistintamente – de diferentes etnias, nacionalidades, religiões, culturas, níveis socioeducacionais – e que ganham força em vozes femininas. As mulheres, como grupo oprimido e silenciado em nossa cultura ocidental, vêm lutando corajosamente, em um contexto social, por direitos civis e por equidade de gênero e raça na política, no trabalho e em todos os espaços. Outras lutam corajosa e solitariamente, em um contexto privado e individual, ao sofrerem diretamente (muitas vezes na própria pele), a violência decorrente de uma
mentalidade patriarcal que as objetificam como se fossem propriedades dos homens. Será que o aumento do ódio às mulheres e do feminicídio no Brasil e no mundo pode estar relacionado à potência de tantas vozes femininas que vem ressoando cada vez mais fortes?
Em homenagem aos diferentes movimentos capitaneados por mulheres na virada do século XIX ao XX, ocorridos na Inglaterra, Rússia, Europa e Estados Unidos, a ONU instituiu em 1975 o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, reconhecendo a importância da data para a história e os direitos das mulheres, celebrando ainda as árduas conquistas políticas e sociais do gênero. Um dia a ser celebrado ao nos sensibilizar pelas antigas e nos inspirar a novas conquistas, e nos servir de alerta sobre os graves problemas de gênero que persistem pelo mundo.
“O que quer uma mulher?”, assim como Freud, não podemos dizer porque não existe A Mulher e sim, mulheres. E as mulheres, em sua pluralidade, têm respondido cada vez mais, que elas querem estar onde desejarem estar!
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