A Diretoria de Publicações da SBPRP, através do seu Projeto “Celebrando”, registra a gratidão da nossa Sociedade ao psicanalista Donald Winnicott, cuja existência espontânea colaborou para o desenvolvimento de um pensamento criativo e original.
Maria Bernadete Figueiró de Oliveira, Membro Associado da SBPRP, estudiosa do legado de Winnicott, nos brinda, ao gentilmente, escrever esta celebração elegendo algumas das contribuições inovadoras do autor. Confiram!

“As crianças brincam na beira da praia dos mundos sem-fim”. Tagore.


Abre-se um horizonte infinito… assim é a obra de Winnicott. Este poema de Tagore, utilizado por Winnicott como epígrafe do texto “A localização da experiência cultural”, anuncia um espaço onde o brincar acontece, permitindo experiência de self que se estende por toda vida. O self é descoberto e fortalecido.
Os conceitos de Transicionalidade de Winnicott, objetos e fenômenos transicionais são inovadores.
Winnicott propõe um novo paradigma para o exercício da clínica psicanalítica. Ele considera que o setting analítico é o próprio espaço transicional, onde duas pessoas, analista e analisando, brincam juntas e, que o encontro psicanalítico acontece no “entre”, no “estar com”. Winnicott nos diz: “A psicanálise é uma forma altamente especializada de brincar, que está a serviço da comunicação com si mesmo e com o outro”. Ele também fez críticas ao modelo da psicanálise padrão quanto à técnica da interpretação, tendo expressado que quando ele interpretava mostrava o seu limite, até onde conseguia chegar.
Considera o setting como a provisão de um ambiente/holding (como um sistema hidráulico que sustenta um ônibus) análogo ao cuidado materno, sendo estável e previsível, proporcionando confiabilidade e intimidade, podendo retomar aos pontos que interromperam a continuidade de ser.
Winnicott nasceu em 07 de abril de 1896, na Inglaterra, e faleceu em 25 de janeiro de 1971. Exerceu a pediatria por mais de 40 anos e atendeu em torno de 60 mil famílias, tendo sido o primeiro pediatra a se tornar psicanalista na Inglaterra. Foi central em sua obra o lugar do projeto de sociedade centrada na vida pública comprometida com os destinos de seus bebês e crianças e a inscrição profunda da
psicanálise na vida da pediatria.
Grande parte de sua obra procura pelo esclarecimento do que ocorre nas fases mais primitivas do desenvolvimento emocional. Considera o bebê em sua imaturidade e em relação de profunda dependência com o ambiente. Evidencia nessa relação, os modos de ser e estar-no-mundo. O ser humano tem na continuidade do ser (impulso existencial não instintual) e na tendência inata à
integração, os seus impulsos ontológicos fundamentais.
A ilusão criada na relação com o objeto subjetivo é a fonte da criatividade primária e do ser, necessária para a chegada na Transicionalidade e posterior descoberta da externalidade pelo processo de desilusão, chegando ao EU SOU e o viver na cultura.