O Projeto “Afetos: Pastoreiros de Almas”, comemora neste mês de maio de 2024 o Dia das Mães, com o rico texto da nossa presidente e membro efetivo da SBPRP, Mônica Bitar Santamarina Araújo. Em suas palavras ela, que cuida dos caminhos de nossa entidade, resgata origens e representações da palavra Mãe, apontando para uma ampla gama de funções que essa expressão desvela.
Acompanhemos suas reflexões, que destacam a importância fundamental do sentimento amoroso no cuidar.

MÃE
por Mônica Bitar Santamarina Araújo,
Membro Efetivo da SBPRP
Mãe, a que nos remete o significado dessa palavra? Quais serão os primeiros sentimentos ou emoções que essa palavra nos traz?
A origem no latim da palavra mãe significa “mater” e ela está associada a outras duas palavras: mamma, que significa seio e mamare, que significa mamar. Estas duas palavras estão intimamente associadas ao ato de ser mãe e revelam um padrão comum na sonoridade: o MA.
Uma pesquisa mostrou que os sons M, P e B, são os primeiros sons consoantes que o bebê pode produzir, os bebês só precisam abrir e fechar os lábios para produzirem esses sons. Durante a amamentação, o bebê produz um som semelhante ao MA, daí a origem da palavra mãe.
Temos aí a origem da palavra mãe, mas a quais emoções e sentimentos esse nome nos leva?
Em psicanálise falamos de função materna, o que significa isso?
Função materna não está ligada somente a mãe biológica, nem tão pouco a relação mãe e filho, mas sim ao ato de cuidar, de gestar, de gerir, que podemos estar desempenhando em algum momento da nossa vida.
Mãe nos remete a condição de cuidar, ao ato de estar atenta e às condições ligadas ao ato de amar.
Para Winnicott, uma importante condição da função materna, seria o que o autor chama de holding. O holding seria a condição materna de identificar-se com seu bebê e segurar ou sustentar o lactante.
Um outro termo importante que Winnicott nos traz, é “mãe suficientemente boa”, que é aquela mãe que efetua uma adaptação ativa às necessidades do bebê no momento. Mãe suficientemente boa, é aquela mãe que percebe antes do bebê o que ele está precisando naquele momento e oferece à ele, as vezes até
antes dele pedir.
Um outro psicanalista chamado Wilfred Bion, nos apresenta o termo Rêverie, que seria também uma condição ligada à função materna, que é o acolhimento. Para acolher, sustentar, cuidar de uma forma eficiente, temos que encontrar dentro de nós, o amor, para assim encontrar a condição de amar.
Para esses dois renomados psicanalistas, uma importante função materna seria a mãe ter condição de prever ou antecipar as necessidades do bebê, para alimentá-lo ou intuir, sentir a necessidade do bebê naquele momento. Isso vai se ampliando e vai além da condição de alimentar o bebê; a mãe vai percebendo e intuindo os desconfortos de seu bebê. Essa condição vai sendo desenvolvida ou
estreitada pela dupla na relação. A relação analista, paciente tem algo a ver com isso, ou a psicanálise tem
algo a ver com isso; com a condição de acolher, de cuidar, de gestar, de digerir, de ajudar os pacientes a irem elaborando o que ainda não pode ter sido elaborado.
A função materna é algo exercido pelo analista e na relação analistapaciente, assim como na relação mãe-bebê. Cada dupla tem uma característica própria, uma dinâmica própria, um ritmo próprio. E cabe a mãe ou ao analista, intuir e perceber o que se faz necessário naquele momento.
Para conseguir exercer essa função, a mãe ou o analista precisam encontrar dentro de si, ter dentro de si, o amor. Isso não quer dizer que mãe ou analista não sintam ódio, raiva ou outros tantos sentimentos classificados “como pouco nobres”, mas que esses sentimentos estejam sendo cuidados por eles, bem
digeridos dentro de si.
Todo ser humano precisa de encontrar dentro de si uma boa mãe, para poder cuidar do outro também. Essa seria a melhor corrente humana que poderíamos fazer!
Um feliz dia das mães para todos aqueles que, de alguma forma, exercem a função materna!
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