O Projeto “Celebrando”, traz hoje uma homenagem a James Grotstein, num belo texto escrito pelo grupo que se reúne para estudar sua obra, coordenado por Beatriz Troncon Busatto, psicanalista, membro efetivo com funções didáticas da SBPRP.

James Grotstein: o sujeito inefável da psicanálise
Para propósitos didáticos, podemos descrever o psicanalista americano James Grotstein como pós-kleiniano e pós-bioniano. Para conhecermos algo real sobre o autor, no entanto, devemos começar reconhecendo o que esses termos têm de insuficientes para transmitir o que quer que seja sobre sua essência e contribuição para a psicanálise.
Falecido em maio de 2015, Grotstein foi um psicanalista intuitivo e original que compreendeu profundamente, questionou e ampliou com coragem os conceitos dos teóricos que o precederam. Dono de uma erudição invejável que transparece em suas referências literárias, filosóficas, antropológicas e teológicas, Grotstein desenvolveu seus textos e conceitos ao longo de uma linha que tange constantemente o abismo do desconhecido – impossível de ser conhecido – mas cuja presença é sempre intuída. É nessa linha que ele propõe o conceito de sujeito inefável do inconsciente, um sujeito em constante tensão com o sujeito fenomênico consciente em seu esforço para existir e compreender algo do que isso significa.
Grotstein cria um panorama onde a mente – e por extensão, a própria psicanálise – é vista como um ecossistema povoado por “presenças” místicas que servem muito bem ao propósito de compreender aquilo com que se deparou em sua vasta experiência clínica e de compartilhar isso com o leitor. Ao longo de sua obra, atribui papel especial aos sonhos, com grande interesse no material que os compõem, mas principalmente em como esse material é selecionado e editado por agentes internos para criar a peça onírica que será apresentada ao sonhador (que é ainda outro desses agentes).
Junto com os sonhos, uma nota de fundo recorrente em sua obra é o que identificamos como uma espécie de fé no potencial humano para o desenvolvimento, expressos em conceitos como o de autoctonia (capacidade de criar a si mesmo) e enteléquia, a elegante ideia que empresta de Aristóteles para abordar o movimento em direção à realização do potencial pleno que existe em cada um de nós.
Nas palavras de Ogden no prólogo de Quem é o sonhador que sonha o sonho?: “Talvez o mais importante de tudo seja a habilidade de Grotstein para comunicar uma ideia do potencial criativo ilimitado do inconsciente […].”
Grupo de Estudos “Grodstein” – SBPRP:
Alessandra Paula Teobaldo Stocche
Arlindo Gomes Ribeiro
Beatriz Troncon Busatto
Cristiana Prota Crippa
Denise Lopes Rosado Antonio
Denise Zanin, Helena Furtado
João Paulo Machado de Sousa
Lidia Neves Campanelli
Luciano Bonfante
Luzdalma de Maio Barbosa Vieira
Maria Aparecida Garcia Galiote Brossi Pelissari
Maria Roseli Pompermayer Galvani
Marta Dominguez Sotelino
Mauro Balieiro
Marystella Carvalho Esbrogeo
Sonia Maria Nogueira de Godoy
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