05 de junho: “Dia Mundial do Meio Ambiente”, é uma data instituída pela ONU, que ocupa um importantíssimo espaço para reflexões multidisciplinares, que possam abrir caminhos para ações de preservação do meio ambiente, bem como de cuidados com os impactos ambientais, cada vez mais devastadores.
Lídia Neves Campanelli, psicanalista, membro associado da SBPRP, nos trás hoje o seu pensamento a este respeito envolvendo: ilustrativa manifestação artística de desequilíbrios em cadeia; terríveis atualidades e psicanálise.
Que estado de mente impede o cuidado com o meio ambiente? Estamos conseguindo pensar? Confiram!

Dia Mundial do Meio Ambiente
por Lídia Neves Campanelli,
membro associado da SBPRP
A pintura de Paul Klee propõe o exercício de ultrapassar o visível abandonando a configuração do real, da natureza tal como a conhecemos, para avançar o olhar em direção a uma outra natureza, a natureza da obra. Nela vemos um espaço subvertido onde estão dispostos, de maneira inusitada, elementos como a água, o céu, as plantas, o sol, a lua. Ao romper com a figuração determinada, o artista integra em uma mesma origem a diversidade dos elementos que compõem a natureza, representando o planeta como um ecossistema. E, se o planeta atua como entidade integrada e única, as transformações que geram desequilíbrio em um dos elementos colocam em risco o desenvolvimento e a vida dos demais.
Neste ano, o dia Mundial do Meio Ambiente chega até nós em meio a um desastre ambiental devastador: as chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. Perplexos e assustados, estamos vivendo no presente, o que parecia ser uma expectativa, talvez até distante, de um futuro. A ciência vem alertando sobre as transformações significativas do planeta em sua crosta e atmosfera. Às transformações geológicas naturais, acrescentou-se o rápido crescimento da população que teve início com a Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII, associado ao uso intensificado dos recursos naturais o que acarretou graves implicações ao equilíbrio terrestre.
Diante de questões que ameaçam a humanidade, o que pensa a psicanálise? Chuster & Trachtenberg (2009) fazem uma pergunta: que espécie de psiquismo colabora com a destruição do planeta, envolvendo os seres humanos que nele habitam e os que vão habitar, um dia, no Futuro? Usando o modelo de mente de Bion, os autores falam da inveja do futuro. A inveja como impulso para inibir as boas experiências que produzem crescimento, atua no sentido imobilizar o passado, impedindo a expansão do pensamento. Fundamentalista e doutrinário, intolerante às mudanças, o pensamento veiculado pela inveja do futuro condena a humanidade, pela arrogância, a um futuro ameaçador.
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