A Diretoria de Publicações, trás hoje no projeto “AFETOS: PASTOREIROS DE ALMAS”, uma linda escrita, com amplo horizonte, de autoria da Membro Efetivo com Funções Didáticas, Ana Rita Nuti Pontes, da nossa Sociedade.

A agradável leitura nos conduz a uma viagem, cujo embarque saí de dentro de nós, proporcionando vida, amparo e alívio, entre outras experiências. Também nos atenta para a presença de perdas, quando deixamos de embarcar a partir desta estação.

Descubra e aprecie o texto!

por Ana Rita Nuti Pontes,
Membro Efetivo com funções didáticas da SBPRP

Ah, abençoada capacidade de se enamorar!

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer a outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”. (Guimarães Rosa – Grande sertão veredas)

Gosto de pensar no descanso da loucura, no amor que propicia os estados de enamoramento e encantamento pela vida e que ressaltam as melhores virtudes.

Em italiano o verbo enamorar é in-namorare. O prefixo in significa de dentro da alma, do coração, da mente, das fantasias. Esta condição de enamoramento é a disponibilidade de vinculação e admiração pelo outro. Outro humano, animal, outro país, outro qualquer, mas, especial, com quem me relaciono, me emociono, tenho vontade de cuidar e festejar sua existência. Busca e, não, posse.

Em tempos de amor líquido, a intimidade e toda emoção que perpassa o processo de enamoramento parecem fora de lugar. Tudo acontece logo, as pessoas ficam, se pegam, se largam e não experimentam o prazer que existe em irem se descobrindo e se conhecendo mutuamente. Não se namora e os que se enamoram se sentem demasiado vulneráveis, como se tivessem sido traídos por eles mesmos. É da natureza humana a busca por conexão afetiva.

Abençoada a condição de nos enamorarmos e sentir tantas emoções perturbadoras que este estado provoca. Abençoada condição de sentir que a vida flui e pulsa. Abençoada condição que nos alivia da solidão e desamparo da existência, pois o amor começa dentro da gente.