Como um novo grupo de trabalho pode se entrosar e aquecer seus tambores, cordas e metais para uma nova jornada de composições?
A nova equipe do blog mergulhou em uma experiência imersiva na exposição de Van Gogh… Entre conversas, trocas de experiências e o desejo de aprender e sonhar juntos, nasceu esta composição da membro filiado Patrícia Sabbag Farah Peruchi.
O texto reflete o sonho deste grupo para a nova temporada de produções do blog da SBPRP!

“Há experiências que transcendem o olhar e alcançam algo mais profundo, que nos atravessa e permanece. Foi assim que me senti ao entrar na imensidão de luzes e cores que vibravam como se tocassem algo além do visível. Desde o momento em que adquiri o ingresso”…

Patrícia Sabbag Farah Peruchi,
Membro Filiado da SBPRP

Há experiências que transcendem o olhar e alcançam algo mais profundo, que nos atravessa e permanece. Foi assim que me senti ao entrar na imensidão de luzes e cores que vibravam como se tocassem algo além do visível. Desde o momento em que adquiri o ingresso para a imersão de Van Gogh, nuit étoilée*, carregava uma mistura de curiosidade e hesitação: deveria buscar conhecer mais sobre a história dele ou simplesmente me permitir ser surpreendida? Decidi abrir espaço para o acaso conduzir minha jornada.
Sentei-me no chão da exposição, cercada por luzes e matizes que pareciam pulsar com vida. No início, meus pensamentos oscilavam entre a ansiedade e a fascinação. Meus olhos buscavam capturar cada detalhe, enquanto o coração aguardava, silencioso, o instante da conexão.
Aos poucos, fui sendo envolvida. As ondas murmuravam segredos, as nuvens flutuavam entre serenidade e inquietação, e os campos de girassóis brilhavam como se fossem eternos. A cada projeção, sentia-me ora perdida, ora encontrada, como se a arte abrisse portais inesperados para dentro de mim.
Foi uma experiência de contrastes: calma e tensão, leveza e profundidade.
Cada pincelada de Van Gogh parecia abrir uma brecha no mundo interno, tocando camadas inconscientes que habitam o que está além das palavras. Os paradoxos da existência dele, minha ou de qualquer um que se permita estar presente, pareciam reverberar naquelas imagens.
E então, no ápice desse mergulho, fui despertada ao me deparar com seu autorretrato, uma imagem que condensava dores, sonhos e humanidade.
A vida, como as telas de Van Gogh, não é feita de contornos claros ou tons previsíveis. Talvez ela seja uma obra que se revela nas nuances, nas formas incompletas e nos contrastes que nos atravessam.
Deixar-se tocar pela arte é, em certa medida, aceitar que a vida também nos invade com sua beleza, suas estranhezas e seus medos. O desconforto diante desses paradoxos pode parecer avassalador, mas é nele que algo se transforma.
Abrir-se a essas emoções é abrir-se ao desconhecido que nos habita. É possível que o essencial esteja menos em encontrar ordem e mais na ousadia de sentir e acolher as contradições que nos fazem humanos.


*Van Gogh, nuit étoilée, Atelier des Lumières, Paris, 2019.

Vídeo e música: Pixabay