Da Felicidade
“Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz! “
(Mario Quintana)

Observo que escrevo este adendo com os óculos em meu nariz! Encontrei-os

Que maravilha é poder começar. Há que ter coragem. Recém-chegada, vivenciei importante recepção e acolhimento. Tudo novo. Avistei uma floresta arborizada, com árvores de diversas espécies, entradas para a luz do sol, cantos obscuros. Como um animal ressabiado, tateei o solo. Uma pata…outra pata. No meu passo, (com)passo, me apresento.
Há cantos emitidos na natureza que são para formar pares, afastar predadores, agrupar bandos, reproduzir. Canto o meu canto e percebo não estar só. Estou em companhia e viva. Acompanhada, piso com meus pés no solo e posso sentir. Há solo que parece um tapete listrado, daqueles que afofa e aquece. Aconchegar o aconchego é anuncio de novo começo. Durante o caminho, muitas vezes me senti como uma criança saltitando de mãos dadas com quem me acompanha. Há trilhas tortuosas, arenosas…. mas não estou só.
Atravesso. Observo pelo caminho. Há orquídeas sobre vasos espelhados que refletem delicadeza, elegância, e beleza, mostrando verdades com amor. De mãos dadas vou andando. Percebo acrescer em mim o amor. Posso cantar, dançar, meu ritmo é o samba.
Celebro a vida. No quintal da minha casa, onde brinquei, tem uma jabuticabeira e tá “carregada”. Carrego em mim.

Nadia M.Bonardi Trebi
18/11/2024