Desafio a fio quem entenda
Como pode uma dor ter emenda?
Nina não encontrava saída
para sua dor tão pouco diluída,
um veneno correndo por suas veias,
sem soro ou anistia

Uma estrangeira em seu corpo,
não se reconhecia
Como isso podia?
Sua bandeira seria o seu dia
Mas o que fazer quando a noite surgia?

A lágrima, que há muito escorria,
derramava seu amor para o olhar de quem o mal lhe fazia.

Nina era nome pequeno,
desses que se dá ou ganha quando pequenina
Sua melodia, há muito esquecida,
não era cantada ou declamada,
apenas se escondia
Porque a alegria não compunha mais sua música,
que havia se transformado apenas em fantasia

Nina sofria!
E durante o dia,
ter uma vida fingia
Mas a noite,
assim como sua roupa de colombina, caía
E sua dor, com a realidade, aparecia

Mas será que de dia sumia?

por Gustavo Machado, membro filiado do Instituto de Psicanálise (SBPRP)

*Texto produzido a partir de uma obra de Nino Cais, “sem título” [2014], em visita coordenada por Sabrina Malpeli ao Instituto Figueiredo Ferraz

**Fotografia “Wild or Sad” de Aidan Nworks, e arte gráfica de Carolina Rodrigues, livremente inspirada na obra de Nino Cais