Uma palavra morre

quando é dita,

dizem alguns.

Eu digo que ela apenas

começa a viver

nesse dia.

                              Emily Dickinson[1]

Talvez concordemos quando alguém diz: “Vivemos num mundo de excessos”. Mais intensamente ainda, de imagens na internet e nas mídias sociais. Curioso é que nossa civilização partiu das imagens nas cavernas e caminhou lentamente em direção ao alfabeto. O alfabeto concedeu ao homem a consciência de sua historicidade: o fluxo contínuo do tempo. Talvez estejamos agora percorrendo o caminho inverso. Não, porém, de volta às imagens nascidas da experiência — aquelas primeiras imaginações, pura arte —, mas mergulhados num espaço regido por imagens tecnológicas, distantes da experiência, em ritmo acelerado, excessivamente acelerado.

Escrever abre uma pausa no excesso do mundo.

Mergulha-se no fluxo contínuo do tempo.

Escrever por um vértice psicanalítico é procurar o homem, habitá-lo uma vez mais, fazendo o vivido tornar-se sentido.

    — “O que ainda nos procura: quando o sonhar não se faz presente?” —  

Sonhando com o tema do Projeto Editorial 2026, aguardamos as contribuições dos colegas para  mantê-las registradas  e vivas  entre nós!   

Mais informações em:


[1] Dickinson, Emily   “A word is dead”  –  poema 1212,  na numeração de Thomas H. Johnson

Tradução livre