Cairo Badoco de Souza– Membro filiado da SBPRP

Quero lhe fazer um convite!

Seria o cinema um animal em risco de extinção? A minha esperança é que não!

Em tempos de streaming em que nossa atenção é dividida com o celular, demais atividades e a possibilidade de pausar a tela a qualquer momento, ter a experiência do cinema é uma oportunidade única. Não tem como pausar e a atenção precisa estar concentrada na maior parte do tempo. Um verdadeiro mergulho na arte através da experiência cinematográfica, ou parafraseando Milton, na sua obra Paraíso Perdido, um cair em si ao entrar em contato com o desconhecido. Aliás, esse é meu convite para você, caro leitor! A união de duas paixões: psicanálise e a sétima arte.

Um projeto tão caro para nós retoma suas atividades após uma pausa provocada pela pandemia. A cidade de Franca volta a sonhar com o encontro presencial de pessoas, cultura, afetos e associações psicanalíticas.

Onde aprender psicanálise? “Se não for parecido com a vida não é psicanálise” (Bion). A arte não ensina psicanálise como um manual. Todavia, pode oferecer situações humanas nas quais reconhecemos conflitos, defesas, fantasias e formas de relação. Para mim, essa é a alma do precioso Cinema e Psicanálise: o encontro, o escurinho do cinema, o filme, a conversa no intervalo regada a café, sorrisos e, não menos importante, a troca de ideias.

O filme escolhido para a retomada é O Convite, dirigido e interpretado por Olivia Wilde. Há convites que levam à transformação, outros à ruína. Vamos aguardar para ver por quais caminhos a discussão nos guiará.

O drama e, por vezes a comédia, abordam os desdobramentos do amor e, concomitantemente, da falta dele. Uma das lentes possíveis é olhar para o trânsito da teoria da libido como um dos pontos da decadência daquele casamento até a psicanálise contemporânea – a importância da intimidade da dupla/casal.

A dupla, seja ela criativa, romântica ou analítica é vital para a sobrevivência. Afinal, somos seres sós e dependentes. A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Este filme por vezes nos faz rir, por outras conduz ao desamparo, mesmo porque, quem nunca viveu um momento de solidão a dois? E por fim, não satura, pois possibilita uma interpretação que se expande em infinitas possibilidades.

Defender a arte é um ato psicanalítico, um ato político e não menos importante, como diria Bion, um ato de fé!

Vida longa ao cinema!